Marca é quase o dobro do limite estabelecido pela Aneel; companhia italiana duplicou os investimentos, mas só conseguiu melhorar índices em 10%

EnelHá exatos dois anos, a Enel assumiu o controle da antiga Celg Distribuição (Celg D). O resultado de lá para cá foi de redução de quase três horas no tempo em que os consumidores ficam sem energia – mesmo com mais que o dobro de investimentos (R$ 800 milhões anuais), se comparado aos últimos anos da Celg D estatal. Mas, a empresa está longe de obedecer os limites estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e, em algumas regiões do Estado, há relatos de piora.

Ao todo, os consumidores ficaram 26,64 horas sem energia no ano passado, enquanto o limite era de 13,69 horas. Antes de passar para o controle privado, em 2016, a distribuidora atingiu 29,55 horas de interrupções, e, desde 2010, ultrapassa os índices apontados como toleráveis pela Aneel – o pior ano nesse período foi 2015, quando os consumidores tiveram de suportar média de 43,24 horas sem o fornecimento de luz.

Com a venda da companhia para a Enel Brasil, que foi concretizada no dia 14 de fevereiro de 2017, a expectativa era de melhorias por causa dos investimentos, que estavam abaixo do necessário para manter e expandir a rede. Em sua primeira entrevista ao POPULAR, em dezembro daquele ano, o presidente da distribuidora em Goiás, Abel Rochinha, afirmava que a expectativa era de melhorar os índices em cerca de 40% em dois ou três anos.

Até agora, no que se refere ao tempo que o consumidor goiano fica no escuro, a melhoria foi de 10%, enquanto a frequência em que as quedas ocorrem apresentou redução de 17%. A Enel Distribuição Goiás – nome adotado a partir de março de 2018 – atende mais de 3 milhões de consumidores no Estado. Mas não é a única. A também privada Chesp atende a população do Vale do São Patrício (35,9 mil unidades consumidoras) e apresenta uma realidade bem diferente.

A Chesp não ultrapassou os limites da Aneel e os consumidores de Carmo do Rio Verde, Ceres, Rialma, Uruana e outros municípios dessa região ficaram sem energia por menos da metade do tempo (11,99 horas) do que o restante do Estado, atendido pela Enel. O que para o interior significa muito, já que os maiores desafios da antiga Celg D estão fora da capital.

“A energia é um grande problema para muitos municípios e têm ocorrido grandes perdas para os produtores rurais”, ressalta o presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM), Haroldo Naves. Ele pontua que afeta comércio, indústrias, produção rural e que os prejuízos se refletem até mesmo na arrecadação das prefeituras pelo desequilíbrio capaz de causar às economias locais. “A gente sabe que teve uma melhora lenta, mas ainda não é o ideal.”

Em Aruanã, consumidores relatam que quedas preocupam e revelam necessidade de mais melhorias na rede. No último final de semana, houve interrupção que durou cerca de 24 horas. Já em Iporá, a insatisfação de produtores rurais levou à organização de um protesto, que será realizado amanhã (15) em frente à loja da Enel na cidade. Serão distribuídos litros de leite e realizado um almoço.

“O objetivo é ver se sensibiliza mais os diretores da Enel, para que tenham pelo menos pena, porque depois que assumiram ficou pior. Tem fazenda que fica seis dias sem energia”, pontua o presidente do Sindicato Rural de Iporá, Adailton Leite, ao dizer que “o protesto será pacífico, por enquanto”.

Outro Lado

A Enel tem reforçado seu compromisso com os consumidores goianos de investir continuamente em melhorias, diz nota em que a empresa afirma que os investimentos “têm como foco a automação da rede de distribuição, além de iniciativas para ampliar a capacidade da rede de distribuição e acelerar a conexão de novos clientes”.

O resultado disso, segundo a distribuidora, é que a duração média das interrupções do fornecimento de energia (DEC), em 2018, foi a melhor desde 2011; e a frequência média de interrupções (FEC), em 2018, foi a melhor da história da companhia, desde o início da apuração por parte da Aneel.

Em sua defesa, a Enel ainda afirmou que tem automatizado a operação do sistema elétrico e que inaugurou as novas Subestações Cocalzinho, Ipeguari (Santa Helena) e Paraúna, além da Linha de Distribuição de Alta Tensão (LDAT) Cristalina-Luziânia e da ampliação de outras 16.

“A empresa reforça que são intervenções grandes e complexas, que refletem na qualidade do serviço em médio e longo prazos”, traz a nota. Sobre os indicadores da Aneel, a empresa explicou que “registra todas as ocorrências de interrupção no fornecimento, mesmo que os clientes não comuniquem à distribuidora. Além disso, os indicadores são enviados e fiscalizados, rigorosamente, pela Aneel”.

Aruanã

Sobre Aruanã, a distribuidora esclareceu que realizou um plano de ação de manutenção na rede elétrica da cidade. Além disso, explicou que no último sábado (9) uma falha em um equipamento da rede de distribuição foi o que interrompeu o fornecimento de energia para cerca de 190 clientes. “A distribuidora ressalta que equipes trabalharam para restabelecer o fornecimento o mais breve possível e garantir a qualidade e a confiabilidade do serviço.”

Fonte: O Popular

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Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

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